Companheiros,
No passado dia 14 de Abril, sábado, participei na SRP160, a ultramaratona dissputada em Serpa. Pelo percurso apresentado pela organização, esperavam-me 162 km e 3,000 m de acumulado.
Este foi um desafio que me propus fazer há algum tempo e para o qual me tenho tentado preparar minimamente. Obviamente que o meu objetivo não era andar na frente. Sou perfeitamente consciente das minhas pernas (..ou falta delas), mas como sabem a minha forma de estar no ciclismo é criar desafios pessoais, ousados, e tentar fazê-los cada vez melhor.
Depois de 7 participações na maratona de Portalegre estava na hora de fazer algo mais. E algo mais é uma ultramaratona!
Chegado o dia, São Pedro não foi amigo!! E o anti-ciclone dos Açores, para vossa felicidade, ficou mesmo pelas ilhas, pois no alentejo estava frio, chovia e soprava um vente de cerca de 30 km/h nada comum naquelas paragens. Mas que fazer? Nada mais que 1 km de cada vez, que a malta do Santa Clara não é de papel!!

E assim foi... Instalei um ritmo, relativamente confortável para fazer face à distância que me esperava e lá fui andando...

Aos km 40 tive um problema com a corrente, que ficou entre a cassete e a roda. Aí temi o pior, mas depois de tirar a roda e alguma paciência lá solucionei o problema e segui.
Outro susto ao km 60, uma dor que aparece de vez em quando na virilha começa a fazer-se sentir. Aí, segui o conselho que o Nuno Silva me tinha dado, alterar posição, pedalar um pouco recuado no selim para aliviar a pressão e voilá! A partir do km 75 deixou de doer! Obrigado Nuno!
Os km sucediam-se assim como a bela paisagem da planície e da serra (infelizmente) alentejana.
E chego ao km 122, o 3º abasteciment,o com uma média de perto de 19 km/h. Admito que melhor do que estava à espera o que me fazia começar a acreditar num tempo por volta das 8h30. Mas depois é que foram elas... quase 40 km com um vento impossível pela frente. Acho que também devia ter comido algo mais nesta fase ou simplesmente o homem da marreta apanhou-me...
Nada a fazer, prato pequeno e levar a bike até ao fim! Acabei com 9H12m e uma média de 17,6 km/h.
Os trilhos eram lindíssimos, com alguns singles nas margens do Guadiana, outros bem rápidos, uma passagem pelas minas de São Domingos para mais tarde recordar, recomendo!
Uma palavra para a bike, levei a Flash 29er. Uma Cannondale com Lefty e roda grande... que dizer? Perfeita!!! (o problema foi transmissão Shimano).
E no rescaldo, objetivo cumprido! Vou ter direito a uma jersey personalizada, de Finisher, para poder-vos dizer que vocês andam muito depressa... mas quem anda muito sou eu!!
Agora recuperar e apoiar ao máximo a malta toda nas corridas que faltam!!